Composição corporal vai além do peso, explica o Método LP

Jin Koriyama
Jin Koriyama
5 Min de leitura
Lucas Peralles

O nutricionista esportivo Lucas Peralles vê com frequência atletas amadores classificados como sobrepeso ou até obesidade por uma calculadora de IMC, mesmo tendo baixo percentual de gordura e um condicionamento físico que contradiz completamente esse rótulo de sobrepeso. O erro não está na pessoa, está na ferramenta usada para avaliá-la, criada há décadas para estudar populações inteiras, não indivíduos isolados.

O IMC divide o peso pela altura ao quadrado e para por aí, sem diferenciar quanto desse peso é músculo, quanto é gordura, quanto é osso e quanto é água retida naquele dia específico, uma variável que muda até de manhã para a noite, dependendo da alimentação, da hidratação e do horário da última refeição do dia anterior.

O que o IMC não consegue enxergar?

Duas pessoas com a mesma altura e o mesmo peso podem ter composições completamente diferentes, uma com mais massa muscular e outra com mais gordura corporal, e o número na balança seria idêntico para as duas, mesmo sendo corpos visivelmente distintos. É essa cegueira que faz o IMC classificar fisiculturistas e atletas de força como sobrepeso, mesmo com percentual de gordura bem abaixo da média.

Lucas Peralles descreve esse tipo de classificação equivocada como um dos motivos que mais desmotivam quem treina com consistência, porque a pessoa vê um número que não reflete nem o esforço nem o resultado real conquistado no treino e na alimentação, e chega a duvidar do próprio progresso por causa de um cálculo genérico.

Por que um peso normal nem sempre significa saúde metabólica?

O oposto também acontece e costuma passar despercebido com mais frequência do que deveria, justamente por não aparecer no espelho nem na roupa que ainda veste normalmente. Uma pessoa pode ter IMC dentro da faixa considerada normal e, ainda assim, carregar um percentual de gordura corporal elevado, principalmente concentrado na região abdominal, onde a gordura visceral está associada a maior risco cardiometabólico.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Esse quadro tem nome na literatura científica, obesidade de peso normal, e mostra que o número da balança sozinho não garante nem descarta risco à saúde de ninguém. Duas pessoas com o mesmo peso podem estar em situações metabólicas completamente distintas, uma delas sob risco real que o espelho e a balança juntos não revelam.

Como o Método LP avalia composição corporal na prática?

Em vez de basear a avaliação apenas no peso, o Método LP recorre a métodos que separam massa gorda de massa magra, como a bioimpedância e a medição de dobras cutâneas, feitas na Clínica Peralles em intervalos regulares para acompanhar a evolução real do corpo, e não apenas na consulta marcada para o fechamento de uma meta específica.

Lucas Peralles indica que essa forma de avaliação muda inclusive a conversa sobre resultado, porque uma pessoa pode perder gordura e ganhar músculo ao mesmo tempo sem que o peso mude quase nada, e ainda assim estar evoluindo de forma consistente mês após mês de acompanhamento na Clínica Peralles.

O que muda quando o foco sai da balança?

Olhar para a composição corporal, e não só para o peso, evita decisões precipitadas, como abandonar um plano eficiente só porque a balança não mostrou o número esperado numa determinada semana de acompanhamento, quando o corpo já estava mudando por dentro mesmo sem mostrar isso na superfície ainda naquela semana específica de treino.

Lucas Peralles destaca esse ponto sempre que um paciente chega frustrado com o peso estagnado, porque, ao medir a composição real do corpo, o resultado que a balança escondia costuma aparecer com clareza, revelando um progresso real que já estava acontecendo bem antes de virar número visível na balança de casa, semanas depois do esperado.

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