Projeto apresentado ao vice-presidente Geraldo Alckmin prevê mais de 1 milhão de metros quadrados dedicados à pesquisa e à formação profissional.
Jundiaí deu mais um passo na tentativa de se firmar como polo de inovação no Estado de São Paulo. Durante reunião na sede regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a Prefeitura apresentou formalmente a proposta de implantação de um Parque Tecnológico no município, projeto que já vinha sendo discutido internamente há anos. O documento foi entregue ao vice-presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, por uma comitiva liderada pelo vice-prefeito Ricardo Benassi e pelo gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Humberto Cereser. Para quem acompanha a vocação industrial da cidade, a proposta levanta uma questão prática: o que muda se esse parque sair do papel?
O que prevê a proposta de Parque Tecnológico
O projeto apresentado pela Prefeitura prevê a instalação do Parque Tecnológico em uma área de mais de 1 milhão de metros quadrados pertencente ao Instituto Agronômico (IAC), órgão de pesquisa já consolidado na cidade. A escolha do local não é aleatória: por já abrigar atividades de pesquisa científica ligadas à agricultura, a área é vista pela gestão municipal como um espaço com vocação natural para receber um empreendimento voltado à inovação tecnológica, à pesquisa aplicada e à formação profissional.
Segundo Humberto Cereser, a proposta une pesquisa aplicada, inovação e capacitação de mão de obra em um único projeto estruturante, o que reforça o potencial de Jundiaí se tornar referência nacional em inovação. A cidade já concentra um parque industrial relevante no interior paulista, e a criação de um espaço dedicado especificamente à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico tende a criar uma ponte entre empresas instaladas no município e instituições de ensino e pesquisa que já atuam na região, algo que hoje ocorre de forma mais fragmentada.
Por que o projeto busca apoio federal e estadual
Além de apresentar a proposta, a comitiva de Jundiaí entregou ao ministro Alckmin um ofício solicitando a inclusão do Parque Tecnológico no Programa Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa federal voltada ao fortalecimento da indústria nacional. O documento destaca como o projeto se alinha a missões do programa, entre elas a transformação digital da indústria, o que pode abrir caminho para acesso a linhas de financiamento e apoio técnico do governo federal caso a proposta seja aceita.
A Prefeitura também pediu o apoio do Ciesp para intermediar, junto ao governo estadual, a destinação de parte da área do IAC para fins de desenvolvimento tecnológico. Essa articulação em duas frentes, federal e estadual, mostra que o projeto depende de decisões que vão além da esfera municipal, já que a área pertence a um instituto vinculado ao governo de São Paulo. Sem esse alinhamento institucional, a proposta corre o risco de ficar limitada ao campo das intenções, como já ocorreu em etapas anteriores de discussão sobre o tema na cidade.
O que a proposta pode significar para estudantes e para o setor produtivo local
Durante o mesmo evento no Ciesp, alunos do Sesi e do Senai de Jundiaí foram homenageados por conquistas em campeonatos de robótica, incluindo casos de estudantes que garantiram vagas em universidades internacionais. Embora sejam fatos distintos, a coincidência ilustra o tipo de conexão que a Prefeitura tenta reforçar com o Parque Tecnológico: aproximar a formação técnica e profissional já oferecida na cidade de oportunidades concretas de pesquisa aplicada e inovação, hoje concentradas majoritariamente em polos como São Paulo, Campinas e São José dos Campos.
Se avançar, o projeto pode representar uma mudança relevante na forma como a cidade se posiciona economicamente, deixando de depender apenas do parque industrial tradicional e passando a competir por investimentos ligados a tecnologia e inovação. Ainda assim, o processo depende de etapas que fogem ao controle direto da gestão municipal, como a liberação de parte da área do IAC pelo governo estadual e a eventual inclusão no programa federal Nova Indústria Brasil, o que torna o cronograma de implantação do parque, por ora, uma incógnita.
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