Memória viva: descubra como Tiago Schietti está redefinindo o conceito de homenagem e luto

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Tiago Schietti

Tal como apresenta Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, a forma como as sociedades lembram seus mortos revela muito sobre quem elas são. No Brasil, esse campo está em plena transformação: as antigas lápides de mármore e as fileiras uniformes de sepulturas já não respondem sozinhas às necessidades emocionais e simbólicas das famílias contemporâneas. Uma nova geração de enlutados chega aos cemitérios e aos espaços de memória com expectativas renovadas sobre o que significa honrar uma vida.

Continue lendo para entender quais são os desafios de infraestrutura mais urgentes para o setor e de que forma os cemitérios brasileiros podem se tornar espaços de homenagem verdadeiramente à altura das histórias que abrigam.

Da lápide ao espaço vivo: como a infraestrutura cemiterial está sendo reinventada?

Durante séculos, a memorialização foi sinônimo de permanência física: a pedra, o mármore, o nicho gravado com nome e data. Essa concepção, funcional e respeitável em sua origem, começa a mostrar seus limites diante de uma sociedade que busca formas mais personalizadas e dinâmicas de honrar a memória de quem amou. Os cemitérios que reconhecem essa mudança estão redesenhando seus espaços para oferecer experiências que vão além do registro estático, incorporando jardins temáticos, áreas de contemplação, espaços de celebração e infraestrutura digital integrada.

Como destaca Tiago Schietti, a infraestrutura de um cemitério moderno precisa ser pensada como um conjunto de ambientes que atende a diferentes necessidades emocionais das famílias. Há quem precise de silêncio e recolhimento, há quem prefira celebrar a memória em comunidade, e há quem busque um espaço vivo e verde para se reconectar com a natureza enquanto recorda o ente perdido. Uma infraestrutura bem planejada contempla todas essas possibilidades sem que uma anule a outra.

O que as famílias de hoje buscam em um espaço de memorialização?

Responder a essa pergunta exige que o setor funerário saia da lógica da oferta padronizada e passe a escutar com atenção genuína o que as famílias expressam em seus momentos de interação com os espaços cemiteriais. As pesquisas sobre comportamento do luto e as tendências do setor apontam para um desejo crescente de personalização: as famílias querem que o espaço dedicado ao seu ente querido reflita algo verdadeiro sobre quem essa pessoa foi em vida, e não apenas cumpra uma função protocolária de registro e sepultamento.

Tiago Schietti
Tiago Schietti

De acordo com Tiago Schietti, profissional com atuação no segmento de memorialização e serviços funerários, essa demanda por personalização é uma das mais transformadoras que o setor tem enfrentado nos últimos anos. Ela se manifesta desde a escolha de urnas e caixões com estética singular até o pedido de lápides com elementos biográficos, fotos permanentes, mensagens em áudio acessíveis por dispositivos móveis e espaços decorados com os elementos que marcaram a história do falecido. Cada detalhe comunica respeito pela singularidade de quem se foi.

Tecnologia e memorialização: do QR code ao memorial digital permanente

A tecnologia já está transformando a memorialização de formas que poucos setores anteciparam. O uso de QR codes instalados em lápides e nichos para direcionar visitantes a páginas digitais com fotos, vídeos, depoimentos e histórias de vida é uma realidade em cemitérios de vanguarda no Brasil e no mundo. Esses memoriais digitais funcionam como uma extensão da memória física, acessíveis não apenas para quem visita presencialmente, mas para amigos e familiares em qualquer parte do planeta.

Como sugere Tiago Schietti, a integração entre infraestrutura física e tecnologia digital representa um dos avanços mais significativos para o segmento nos próximos anos. Cemitérios que oferecem plataformas digitais para a preservação e o compartilhamento de memórias estão criando um vínculo com as famílias que vai muito além do contrato de sepultamento: estão se tornando guardiões de histórias, e isso tem um valor simbólico e relacional que não se mede facilmente.

A memorialização como exercício contínuo de presença e afeto

À medida que a sociedade brasileira avança em sua relação com o luto e com a morte, a memorialização deixa de ser um evento pontual, restrito ao momento do sepultamento, e passa a ser compreendida como uma prática contínua de cuidado e reconexão. No fim, conforme resume Tiago Schietti, empresário do setor cemiterial e funerário, visitar espaços de memória, criar rituais anuais de homenagem e manter vivos os valores e as histórias dos que partiram são gestos que muitas famílias passaram a valorizar de forma mais consciente, especialmente após as restrições vividas durante o período pandêmico, quando o luto coletivo ganhou outras dimensões.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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